ALPB discute avanços no tratamento da Dermatite Atópica no Estado

A Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB) realizou, nesta segunda-feira (24), audiência pública para discutir assuntos relacionados a Dermatite Atópica no estado da Paraíba, especialmente, no que diz respeito ao diagnóstico, [...]

📅 Publicado em 24 de agosto de 2026 📍 João Pessoa, PB

A Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB) realizou, nesta segunda-feira (24), audiência pública para discutir assuntos relacionados a Dermatite Atópica no estado da Paraíba, especialmente, no que diz respeito ao diagnóstico, tratamento e acompanhamento de pacientes. O debate foi proposto pelo deputado Eduardo Carneiro e contou a participação de representantes da sociedade civil organizada, pacientes e familiares de pessoas acometidas da doença.

A dermatite atópica é uma doença inflamatória crônica da pele que pode provocar coceira intensa, lesões, ressecamento, dor e comprometimento significativo da qualidade de vida dos pacientes. Em seus quadros moderados e graves, a doença pode afetar diretamente o sono, a rotina escolar e profissional, a saúde emocional e a convivência social.

Eduardo Carneiro chamou atenção para a relevância do debate, cujo objetivo é dar voz a pacientes que ainda enfrentam dificuldades para obter diagnóstico adequado, acompanhamento especializado e acesso contínuo aos tratamentos necessários, especialmente nos casos de maior gravidade. “A gente tem procurado dar os passos que são necessários para que consigamos ter, além do diagnóstico, a continuidade no tratamento e que o Estado arque com aquilo que ele é inerente e que é de direito dos pacientes. Essa é a nossa grande missão, esse é o nosso grande desafio. É uma causa justa, uma causa que merece a nossa atenção devido ao sofrimento dos pacientes e de seus familiares”, declarou.

O deputado acrescentou que é dever do parlamento estadual se colocar entre a população e o poder público para fazer fluir o debate, atender as demandas e trazer melhoria para a qualidade de vida dos paraibanos. “Nos colocamos à disposição para poder fazer essa ponte entre o paciente, os profissionais da área de saúde e o poder executivo. Esse é o desafio”, resumiu Eduardo Carneiro.

O presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia na Paraíba, Samir de Figueiredo Azzouz, destacou que a dermatite atópica deve ser compreendida como uma doença inflamatória crônica, e não apenas como uma alergia ou problema de pele. “A dermatite atópica não termina apenas na superfície da pele, ela invade o sono, a escola, o trabalho, a autoestima, a família, a vida”, afirmou.

Samir ressaltou avanços recentes no tratamento oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo a incorporação de medicamentos para crianças e adolescentes com quadros graves, mas apontou a necessidade de ampliar o acesso para pacientes adultos. Segundo Samir, “é preciso considerar, nas políticas públicas, não apenas o custo dos medicamentos, mas também os impactos da doença não controlada, como internações, infecções, afastamentos do trabalho e prejuízos à qualidade de vida”.

Já o presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia na Paraíba, Raiff de França Vasconcelos, ressaltou a importância da realização da audiência pública como espaço de diálogo entre pacientes, familiares, profissionais de saúde, gestores e representantes da comunidade médica. “Quando uma sociedade se dispõe a discutir abertamente os seus problemas, ela demonstra não apenas maturidade, mas também seu grau de humanidade e desenvolvimento social”, afirmou. Para o médico, a discussão promovida pela Assembleia Legislativa representa uma oportunidade de ouvir diferentes setores e construir, de forma coletiva, caminhos para enfrentar os desafios relacionados ao diagnóstico, tratamento e acompanhamento das pessoas com dermatite atópica.

A estudante de fisioterapia Rayanna Silva de Feitas, 26 anos, revelou que foi diagnosticada com dermatite atópica já na vida adulta e que um diagnóstico tardio dificultou o acesso a tratamentos,. Segundo ela, o problema afetou sua vida não apenas fisicamente, pelas mercas da doença, mas psicologicamente e socialmente.

“Fui diagnosticada com Dermatite Atópica grave desde 2022. Comecei a usar remédios tópicos e remédios imunossupressores, mas eu não melhorava, continuava o sofrimento diário. A coceira constante, eu não dormia, não me concentrava na minha faculdade, não conseguia estar na sala de aula todos os dias. Foi uma caminhada muito desafiadora, afetou o meu relacionamento com o meu marido, afetou socialmente a minha ida a uma praia, a um shopping, ao uso de camisetas como manga curta ou blusas de alça. Então, assim, é uma vida psicológica, física e social muito sofrida”, relatou a jovem.

Entre os encaminhamentos defendidos pelo deputado Eduardo Carneiro constam a abertura de um diálogo direto com o Poder Executivo para que seja ofertado aos pacientes adultos acometidos pela doença a possibilidade de obter medicação que amenizam os sintomas da patologia, mas que atualmente só é disponibilizada a pacientes crianças e adolescentes.

LEGISLAÇÃO

Através de matérias apresentadas pelo deputado Eduardo Carneiro, já foram instituídas na Paraíba o Sistema Estadual de Informação e Monitoramento de Doenças Dermatológicas Crônicas com ênfase na Dermatite Atópica; foi criada a lei que dispões de campanhas educativas e ações de conscientização a cerca das doenças de pele com foco na Dermatite Atópica; além da instituição do Dia Estadual da Dermatite Atópica e cria a semana estadual de conscientização a respeito da patologia.

Os paraibanos podem acompanhar todas as matérias apresentadas na ALPB, assim como, sessões ordinárias, visitas técnicas, reuniões de comissões, solenidades e debates através da TV Assembleia, pelo canal 8.2, e também pelo canal TV Assembleia PB no Youtube.

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