ALPB lamenta morte de Joacil de Britto Pereira

A Assembléia Legislativa da Paraíba (ALPB) aprovou, na manhã desta quarta-feira (29), requerimento do deputado José Aldemir (PEN), sugerindo voto de pesar a família do ex-deputado, advogado, escritor e membro [...]

📅 Publicado em 29 de agosto de 2012 📍 João Pessoa, PB

A Assembléia Legislativa da Paraíba (ALPB) aprovou, na manhã desta quarta-feira (29), requerimento do deputado José Aldemir (PEN), sugerindo voto de pesar a família do ex-deputado, advogado, escritor e membro da Academia Paraibana de Letras (APL), Joacil de Britto Pereira, que faleceu no final da noite desta terça-feira (28), aos 89 anos,no hospital da Unimed, em João Pessoa, em decorrência de complicações cardíacas. Além de José Aldemir, vários deputados fizeram pronunciamentos lamentando a morte do ex-parlamentar.

O presidente da ALPB, o deputado Ricardo Marcelo (PEN), destacou a intelectualidade de Joacil como advogado, escritor e membro da APL, e a sua atuação no parlamento paraibano. “Joacil, além de ser um grande advogado, foi um grande político, com uma passagem excelente pela Assembléia. Ele nos honrou muito e nos honra até hoje. Era membro da Academia Paraibana de Letras e possuidor de uma cultura ímpar. Só temos a desejar que ele tenha um bom lugar, que Deus o acolha, da maneira que ele merece, por que ele sempre fez o bem nesta terra. Queremos prestar a nossa homenagem, através da Assembléia, a família enlutada”, disse.

O líder do governo na ALPB, o deputado Hervázio Bezerra (PSDB), disse que o falecimento de Joacil deixa uma profunda tristeza e imensa dor em todos que compõem a Casa de Epitácio Pessoa e na população paraibana como um todo. “Na verdade é uma perda irreparável, não só para a política, mas também para a parte cultural paraibana, pois ele era um homem das letras, com uma inteligência invejável. Joacil tinha uma longa folha de serviços prestados ao estado e à nação, quer na condição de deputado estadual, ou de deputado federal”, enfatizou.

O deputado Gervásio Maia Filho, líder do PMDB na Assembléia, destacou que o ex-deputado deu uma grande contribuição a Paraíba e sua morte abre uma grande lacuna no mundo político e jurídico no Estado. Outro peemedebista a lamentar a morte de Joacil foi o deputado Raniery Paulino. “Joacil era um intelectual, não apenas político, juristas, mas um homem que amava as letras. Toda a cidade de Guarabira e o brejo paraibano como está ressentido com morte de Joacil”, disse.

Já o deputado Wilson Braga (PSD) solicitou à Mesa Diretora, além de consignar nos anais da Casa um voto de profundo pesar pelo falecimento de Joacil, a criação de uma comissão para representar o Legislativo estadual no velório, que acontece na sede da APL, localizada na Rua Duque de Caxias, e no sepultamento, que será realizado no Cemitério Senhor da Boa Sentença, no bairro do Varadouro, às 17h00. Após o pequeno expediente, a sessão foi encerrada.

Currículo

Natural de Caicó, no Rio Grande do Norte, onde nasceu a 13 de fevereiro de 1923, Joacil ocupou, também, mandatos de deputado federal, foi secretário de pastas importantes nas administrações Flávio Ribeiro e Ivan Bichara Sobreira e tornou-se consagrado como escritor e ensaísta. Obteve o primeiro lugar em concurso realizado na Universidade Federal da Paraíba, em 1969, comemorativo ao V Centenário de nascimento de Maquiavel, o pensador florentino. O ensaio, bastante elogiado pela crítica nacional, intitulou-se “Idealismo e Realismo na Obra de Maquiavel”.

Jurista, autor de estudos sobre temas como a pena de morte, Joacil projetou-se pela autenticidade de posições na seara política. Sempre rechaçou as insinuações de que era um direitista, por sua filiação à UDN e depois à Arena, e por suas ligações com proprietários rurais da Várzea da Paraíba. Ideologicamente, definia-se como homem de centro e, politicamente, como um democrata. Fez estágio probatório na Assembleia na condição de suplente.

Em 1958, alcançou a titularidade, concorrendo pela UDN em aliança com o Partido Libertador, formando a chamada Coligação Nacional Libertadora e reelegendo-se outras vezes. Como deputado federal, pronunciou discursos marcantes, acentuando as disparidades regionais e verberando contra a injustiça praticada em relação a grande parte do país. Dizia: “O Centro-Sul abastado, próspero, desenvolvido; o Norte, o Nordeste e o Centro-Oeste pobres, carentes, subdesenvolvidos, apresentando pálidas manchas de civilização avançada”. E acrescentava: “As minhas esperanças são as de milhares de brasileiros que insistem no propósito de acreditar que a Pátria é comunhão de todos, e não discriminação odiosa entre ricos e pobres, entre pequenos e grandes Estados”.

Aluno do Lyceu Paraibano, Joacil formou-se em Direito em 1950 pela tradicional Faculdade do Recife. Pelo seu temperamento forte e destemido, protagonizou episódios polêmicos, a exemplo de um entrevero com o presidente nacional da UDN, Juracy Magalhães, e postulante a presidente da República, que se deslocara à Paraíba em busca de apoio político. Juracy, de forma inábil, criticou políticos influentes da UDN e condenou severamente o “bacharelismo pedante” que, a seu ver, tanto mal fizera ao Brasil. Para surpresa geral, Joacil pediu um aparte, no qual foi contundente: “É sempre melhor o bacharelismo pedante do que o militarismo arrogante que, de bota, espora e espada, tem estrangulado a evolução da democracia brasileira”. Em livro de memórias, Joacil relata que temeu uma reação mais forte do visitante. Juracy, de forma serena, assim se dirigiu a ele: “Gostei da sua resposta. Certamente você é bacharel e se ofendeu com minhas palavras. É uma reação legítima. Mas precisamos aperfeiçoar este país, com bacharéis mais realistas e militares menos intervencionistas”.

Joacil apoiou o movimento militar de 1964, na crença de que ele combateria a “baderna” vigente no governo João Goulart. Chegou a ser acusado pelos adversários de ter participado de uma invasão ao prédio da Faculdade de Direito de João Pessoa, por ocasião de protesto ensaiado contra a visita do então governador da Guanabara, Carlos Lacerda, que acabou não se concretizando. A respeito do fato, Joacil, em depoimento que figurou no livro “O Jogo da Verdade”, editado por “A União”, queixou-se de distorção, alegando que, pelo contrário, sua atuação foi no sentido de apaziguar os ânimos, e que partiu do Décimo Quinto Regimento de Infantaria a iniciativa de afastar estudantes que protestavam contra Lacerda nas dependências da veneranda instituição.

“Houve um inquérito que apurou tudo isso. Eu saí isento de qualquer culpa. Não posso, portanto, aceitar o labéu de invasor da Faculdade, ou de ter comandado uma tentativa de invasão daquele estabelecimento de ensino superior. Os que me acusam disso agem de má fé”, relembrou. Numa avaliação específica sobre a situação vigente pré-1964, Joacil observou que o governo Goulart propiciou ambiente favorável à agitação e subversão.

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