A Assembléia Legislativa da Paraíba entregou nesta quarta-feira, (5 de maio), às 10h, a mais alta comenda da instituição ao empresário paraibano Delino Anterino de Souza, fundador-presidente das Tintas Iquine.
A Assembléia Legislativa da Paraíba entregou nesta quarta-feira, (5 de maio), às 10h, a mais alta comenda da instituição ao empresário paraibano Delino Anterino de Souza.
A Medalha e Diploma Epitácio Pessoa foi entregue pelo presidente da casa, deputado Ricardo Marcelo, em solenidade que contou com a presença de autoridades, empresários e familiares do homenageado. A propositura foi do então presidente da Casa, Artur Cunha Lima, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Ele reconheceu a importância de entregar a medalha ao empresário, “por ser um exemplo de sucesso de vida”.
A honraria foi criada pela Assembléia Legislativa em reconhecimento às personalidades que se destacam no Estado da Paraíba e no Brasil, bem como pessoas que tenham se destacado ou prestado relevantes serviços e que por seus méritos funcionais tenham se tornado alvo de distinção.
Delino Souza foi agraciado pele seu desempenho como empresário no segmento de fabricante de tintas.
O paraibano é fundador-presidente das Tintas Iquine – a maior indústria de tintas 100% brasileira e uma das cinco maiores da América Latina. A fábrica, que produz atualmente aproximadamente 60 milhões de litros por ano, é líder do segmento de tintas no N/NE com 30% de market share e detém 7,5% do mercado nacional.
Perfil
Sertanejo determinado e homem destemido, Delino Anterino de Souza, nasceu em Jericó, antigo distrito de Catolé do Rocha, no Sertão da Paraíba, no dia 04 de abril do ano de 1933, de uma família de pequenos agricultores. É casado com a senhora Oracilda Oliveira de Souza e pai de quatro filhos: Ronaldo, Delino, Rinaldo e Alan.
Aos 18 anos deu a primeira prova de coragem ao deixar, sozinho, a sua terra natal decidido a ganhar a vida em São Paulo para onde se dirigiu em um caminhão pau-de-arara e onde teve o primeiro contato com a atividade de produção de tintas da qual não mais se desligou até hoje.
O primeiro emprego, no seu novo destino, foi como lavador de latas no laboratório da empresa Tintas Prospa do Brasil. Esperava ficar apenas por quatro anos na grande cidade, juntando dinheiro para regressar à sua Jericó, instalar uma pequena mercearia o que, confessa, ainda com profunda emoção, era seu grande sonho.
A vida, no entanto, lhe reservava outros caminhos. Os quatros anos que previa ficar ausente de sua terra natal se transformaram em 14, tendo enfrentado, no início, uma vida de grandes dificuldades por ser semi-analfabeto, o que o obrigava a trabalhar durante o dia e estudar a noite. Adaptou-se ao convívio de uma gente que, ainda lembra, não tinha o mesmo calor humano e a mesma solidariedade do povo de Jericó.
Aos 18 anos, foi prestar serviço militar no quartel do exército em São Luiz de Cárceres no Mato Grosso, voltando a São Paulo, em seguida, e, também, às atividades na indústria de tintas, dessa vez indo trabalhar na Tintas Super (Atual Basf). Ali permaneceu por 11 anos, na empresa que considera ter sido a grande escola de sua vida e onde galgou, mercê da sua dedicação e do seu trabalho, a chefia do laboratório de pesquisas e de produção de resinas.
Homem de profundo sentimento telúrico, nunca esqueceu o Nordeste, e em particular a Paraíba, apesar do sucesso profissional alcançado em terras distantes e mais desenvolvida. Assim, em 1965 regressa a região Nordeste, obtendo emprego em Recife na Indústria de Tintas Diamante, como gerente de produção, onde ficou por sete anos.
Em 1974, já profundo conhecedor do ramo, resolveu instalar o seu próprio negócio, iniciando-o em um galpão alugado de 200 metros quadrados onde trabalhava apenas um homem fabricando cola branca para indústria de móveis.
Quatro anos depois passou a produzir vernizes e a fábrica já não cabia mais no antigo galpão, ocasião em que passou para uma área de 800 metros quadrados que ficou vazia por falta de dinheiro para a aquisição de máquinas.
Após oito anos de luta, a partir de 1982, a Iquine se transformou numa história de sucesso, crescendo constantemente e chegando a ocupar, hoje, uma área de 80 mil metros quadrados, empregando mais de 500 funcionários e produzindo mais de 200 produtos em diversos segmentos e com capacidade de produção para 10 milhões de litros de tinta/mês.
A Iquine hoje é a principal empresa nordestina de tintas com aproximadamente 8.000 pontos de venda e liderança em diversos segmentos de atuação, reconhecida pela sua qualidade, capacidade de gestão e postura ética entre as 10 melhores empresas de tinta do Brasil.
Segunda maior empresa no mercado de tintas do Norte e Nordeste brasileiro, com crescimento de vendas anunciado pelos seus diretores ao redor de 15% nos últimos anos, a pernambucana Iquine estima que nos próximos dois anos estará assumindo a liderança comercial nas duas regiões, superando a Coral do poderoso grupo britânico ICI, um dos maiores conglomerados químicos do mundo. Nos dois mercados regionais, a Iquine já domina as vendas em torno de 30%, enquanto a concorrente é dona de 35% do comércio.
Sua produção está direcionada para as áreas imobiliária, madeira, industrial, automotiva e adesiva.
Atualmente a gestão dos negócios é conduzida pelos filhos Alan, administrador de empresa e diretor de marketing; Ronaldo e Delino Júnior, ambos engenheiros e, respectivamente, diretores das áreas comercial e industrial. Rinaldo; o quarto filho de Delino preferiu a política. Hoje é prefeito de Jericó, cidade onde o pai nasceu.
Reconhecimento – Delino Anterino de Souza já recebeu outras condecorações como a “Medalha do Mérito Industrial” pela Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco, Medalha “Mérito Legislativo Câmara dos Deputados” e o Título de “Cidadão Pernambucano”.
Em seu discurso, o empresário lembrou todas as homenagens que já recebeu e adiantou”, “Ainda assim, sentia que algo me faltava, que me deixava um vazio. Hoje eu descobri o que me faltava para preencher este vazio, era receber uma homenagem da minha grandiosa Paraíba”, falou emocionado.
O homenageado concluiu sua fala agradecendo ao presidente da Casa, deputado Ricardo Marcelo (PSDB), extensivo ao conselheiro Arthur Cunha Lima e a todos os presentes.