{"id":1432,"date":"2013-04-24T13:35:58","date_gmt":"2013-04-24T13:35:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.al.pb.leg.br\/elegispb\/?page_id=1432"},"modified":"2017-04-05T12:46:44","modified_gmt":"2017-04-05T15:46:44","slug":"desenvolvimento-humano-e-organizacional","status":"publish","type":"page","link":"http:\/\/www.al.pb.leg.br\/elegispb\/?page_id=1432","title":{"rendered":"Desenvolvimento Humano e Organizacional"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>Artigos:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><a title=\"As 10 melhores t\u00e9cnicas de estudo\" href=\" http:\/\/www.al.pb.leg.br\/elegispb\/?page_id=1625\" target=\"_blank\"><strong>As 10 melhores t\u00e9cnicas de estudo<\/strong><\/a><\/li>\n<li><strong><a title=\"Possibilidades na constru\u00e7\u00e3o do conhecimento e aprendizagem na EaD\" href=\"http:\/\/www.al.pb.leg.br\/elegispb\/?page_id=1609\" target=\"_blank\">Possibilidades na constru\u00e7\u00e3o do conhecimento e aprendizagem na EaD<\/a><\/strong><\/li>\n<li><strong><a title=\"Escutat\u00f3rio\" href=\"http:\/\/www.al.pb.leg.br\/elegispb\/?page_id=1176\" target=\"_blank\">Escutat\u00f3rio<\/a><\/strong><\/li>\n<li><a title=\"Disciplina e Aprendizagem\" href=\" http:\/\/www.al.pb.leg.br\/elegispb\/?page_id=1613\" target=\"_blank\"><strong>Disciplina e Aprendizagem<\/strong><\/a><\/li>\n<li><strong><a title=\"Como se concentrar nos estudos\" href=\"http:\/\/www.al.pb.leg.br\/elegispb\/?page_id=1618 \" target=\"_blank\">Como se concentrar nos estudos?<\/a><br \/>\n<\/strong><\/li>\n<li><strong><a title=\"Prepara\u00e7\u00e3o para Processos Seletivos\" href=\" http:\/\/www.al.pb.leg.br\/elegispb\/?page_id=1620\" target=\"_blank\">Prepara\u00e7\u00e3o para Processos Seletivos<\/a><\/strong><\/li>\n<li>\n<h1><a title=\"La\u00e7o Psicopedag\u00f3gico\" href=\"http:\/\/www.al.pb.leg.br\/elegispb\/?page_id=1447\">La\u00e7o Psicopedag\u00f3gico<\/a><\/h1>\n<\/li>\n<\/ul>\n<h1 style=\"text-align: right;\"><\/h1>\n<h1 style=\"text-align: right;\"><\/h1>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O prazer da leitura (Ruben Alves)<\/strong><\/p>\n<p>Alfabetizar \u00e9 ensinar a ler. A palavra alfabetizar vem de \u201calfabeto\u201c. \u201cAlfabeto\u201c \u00e9 o conjunto das letras de uma l\u00edngua, colocadas numa certa ordem. \u00c9 a mesma coisa que\u00a0\u201cabeced\u00e1rio\u201c. A palavra \u201calfabeto\u201c \u00e9 formada com as duas primeiras letras do\u00a0alfabeto grego: \u201calfa\u201c e \u201cbeta\u201c. E \u201cabeced\u00e1rio\u201c, com a jun\u00e7\u00e3o das quatro\u00a0primeiras letras do nosso alfabeto: \u201ca\u201c, \u201cb\u201c, \u201cc\u201c e \u201cd\u201c. Assim sendo, pensei a\u00a0possibilidade engra\u00e7ada de que \u201cabecedarizar\u201c, palavra inexistente, pudesse ser\u00a0sin\u00f4nima de \u201calfabetizar\u201c&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.al.pb.leg.br\/elegispb\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/livro2.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" title=\"O prazer da leitura\" src=\"http:\/\/www.al.pb.leg.br\/elegispb\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/livro2-235x300.jpg\" alt=\"\" width=\"235\" height=\"300\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u201cAlfabetizar\u201c, palavra aparentemente inocente, cont\u00e9m uma teoria de como se aprende a ler. Aprende-se a ler aprendendo-se as letras do alfabeto. Primeiro as letras. Depois, juntando-se as letras, as s\u00edlabas. Depois, juntando-se as s\u00edlabas, aparecem as palavras&#8230;<\/p>\n<p>E assim era. Lembro-me da crian\u00e7ada repetindo em coro, sob a reg\u00eancia da professora: \u201cbe a ba; be e be; be i bi; be o bo; be u bu\u201c&#8230; Estou olhando para um cart\u00e3o postal, miniatura de um dos cartazes que antigamente se usavam como tema de reda\u00e7\u00e3o: uma menina cacheada, deitada de bru\u00e7os sobre um div\u00e3, queixo apoiado na m\u00e3o, tendo \u00e0 sua frente um livro aberto onde se v\u00ea \u201cfa\u201c, \u201cfe\u201c, \u201cfi\u201c, \u201cfo\u201c, \u201cfu\u201c&#8230;(Centro de Refer\u00eancia do Professor, Centro de Mem\u00f3ria, Pra\u00e7a da Liberdade, Belo\u00a0Horizonte, MG.)<\/p>\n<p>Se \u00e9 assim que se ensina a ler, ensinando as letras, imagino que o ensino da m\u00fasica deveria se chamar \u201cdorremizar\u201c: aprender o d\u00f3, o r\u00e9, o mi&#8230; Juntam-se as notas e a m\u00fasica aparece! Posso imaginar, ent\u00e3o, uma aula de inicia\u00e7\u00e3o musical em que os alunos ficassem repetindo as notas, sob a reg\u00eancia da professora, na esperan\u00e7a de que, da repeti\u00e7\u00e3o das notas, a m\u00fasica aparecesse&#8230;<\/p>\n<p>Todo mundo sabe que n\u00e3o \u00e9 assim que se ensina m\u00fasica. A m\u00e3e pega o nenezinho e o embala, cantando uma can\u00e7\u00e3o de ninar. E o nenezinho entende a can\u00e7\u00e3o. O que o nenezinho ouve \u00e9 a m\u00fasica, e n\u00e3o cada nota, separadamente! E a evid\u00eancia da sua<br \/>\ncompreens\u00e3o est\u00e1 no fato de que ele se tranquiliza e dorme \u2013 mesmo nada sabendo<br \/>\nsobre notas! Eu aprendi a gostar de m\u00fasica cl\u00e1ssica muito antes de saber as<br \/>\nnotas: minha m\u00e3e as tocava ao piano e elas ficaram gravadas na minha cabe\u00e7a.<br \/>\nSomente depois, j\u00e1 fascinado pela m\u00fasica, fui aprender as notas \u2013 porque queria<br \/>\ntocar piano. A aprendizagem da m\u00fasica come\u00e7a como percep\u00e7\u00e3o de uma totalidade \u2013<br \/>\ne nunca com o conhecimento das partes.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 verdadeiro tamb\u00e9m sobre aprender a ler. Tudo come\u00e7a quando a crian\u00e7a fica fascinada com as coisas maravilhosas que moram dentro do livro. N\u00e3o s\u00e3o as letras, as s\u00edlabas e as palavras que fascinam. \u00c9 a est\u00f3ria. A aprendizagem da leitura come\u00e7a antes da aprendizagem das letras: quando algu\u00e9m l\u00ea e a crian\u00e7a escuta com prazer.<br \/>\n\u201cErotizada\u201c \u2013 sim, erotizada! \u2013 pelas del\u00edcias da leitura ouvida, a crian\u00e7a se<br \/>\nvolta para aqueles sinais misteriosos chamados letras. Deseja decifr\u00e1-los, compreend\u00ea-los \u2013 porque eles s\u00e3o a chave que abre o mundo das del\u00edcias que moram no livro!<br \/>\nDeseja autonomia: ser capaz de chegar ao prazer do texto sem precisar da media\u00e7\u00e3o da pessoa que o est\u00e1 lendo.<\/p>\n<p>No primeiro momento as del\u00edcias do texto se encontram na fala do professor. Usando uma sugest\u00e3o de Melanie Klein, o professor, no ato de ler para os seus alunos, \u00e9 o<br \/>\n\u201cseio bom\u201c, o mediador que liga o aluno ao prazer do texto. Confesso nunca ter<br \/>\ntido prazer algum em aulas de gram\u00e1tica ou de an\u00e1lise sint\u00e1tica. N\u00e3o foi nelas<br \/>\nque aprendi as del\u00edcias da literatura. Mas me lembro com alegria das aulas de<br \/>\nleitura. Na verdade, n\u00e3o eram aulas. Eram concertos. A professor lia,<br \/>\ninterpretava o texto, e n\u00f3s ouv\u00edamos extasiados. Ningu\u00e9m falava. Antes de ler<br \/>\nMonteiro Lobato, eu o ouvi. E o bom era que n\u00e3o havia provas sobre aquelas<br \/>\naulas. Era prazer puro. Existe uma incompatibilidade total entre a experi\u00eancia<br \/>\nprazerosa de leitura \u2013 experi\u00eancia vagabunda! \u2013 e a experi\u00eancia de ler a fim de<br \/>\nresponder question\u00e1rios de interpreta\u00e7\u00e3o e compreens\u00e3o. Era sempre uma tristeza<br \/>\nquando a professora fechava o livro&#8230;<\/p>\n<p>Vejo, assim, a cena original: a m\u00e3e ou o pai, livro aberto, lendo para o filho&#8230; Essa<br \/>\nexperi\u00eancia \u00e9 o aperitivo que ficar\u00e1 para sempre guardado na mem\u00f3ria afetiva da<br \/>\ncrian\u00e7a. Na aus\u00eancia da m\u00e3e ou do pai a crian\u00e7a olhar\u00e1 para o livro com desejo<br \/>\ne inveja. Desejo, porque ela quer experimentar as del\u00edcias que est\u00e3o contidas<br \/>\nnas palavras. E inveja, porque ela gostaria de ter o saber do pai e da m\u00e3e:<br \/>\neles s\u00e3o aqueles que t\u00eam a chave que abre as portas daquele mundo maravilhoso!<br \/>\nRoland Barthes faz uso de uma linda met\u00e1fora po\u00e9tica para descrever o que ele<br \/>\ndesejava fazer, como professor: maternagem: continuar a fazer aquilo que a m\u00e3e<br \/>\nfaz. \u00c9 isso mesmo: na escola, o professor dever\u00e1 continuar o processo de<br \/>\nleitura afetuosa. Ele l\u00ea: a crian\u00e7a ouve, extasiada! Seduzida, ela pedir\u00e1: \u201cPor<br \/>\nfavor, me ensine! Eu quero poder entrar no livro por conta pr\u00f3pria&#8230;\u201c<\/p>\n<p>Toda aprendizagem come\u00e7a com um pedido. Se n\u00e3o houver o pedido, a aprendizagem n\u00e3o acontecer\u00e1. H\u00e1 aquele velho ditado: \u201c\u00c9 f\u00e1cil levar a \u00e9gua at\u00e9 o meio do ribeir\u00e3o. O dif\u00edcil \u00e9 convencer a \u00e9gua a beber\u201c. Traduzido pela Ad\u00e9lia Prado: \u201cN\u00e3o quero faca nem<br \/>\nqueijo. Quero \u00e9 fome\u201c. Met\u00e1fora para o professor: cozinheiro, Babette, que<br \/>\nserve o aperitivo para que a crian\u00e7a tenha fome e deseje comer o texto&#8230;<\/p>\n<p>Onde se encontra o prazer do texto? Onde se encontra o seu poder de seduzir? Tive a resposta para essa quest\u00e3o acidentalmente, sem que a tivesse procurado. Ele me disse que havia lido um lindo poema de Fernando Pessoa, e citou a primeira frase. Fiquei feliz porque eu tamb\u00e9m amava aquele poema. A\u00ed ele come\u00e7ou a l\u00ea-lo. Estremeci. O poema \u2013 aquele poema que eu amava \u2013 estava horr\u00edvel na sua leitura. As palavras que ele lia eram as palavras certas. Mas alguma coisa estava errada! A m\u00fasica estava errada! Todo texto tem dois elementos: as palavras, com o seu\u00a0significado. E a m\u00fasica&#8230; Percebi, ent\u00e3o, que todo texto liter\u00e1rio se<br \/>\nassemelha \u00e0 m\u00fasica. Uma sonata de Mozart, por exemplo. A sua \u201cletra\u201c est\u00e1 gravada<br \/>\nno papel: as notas. Mas assim, escrita no papel, a sonata n\u00e3o existe como<br \/>\nexperi\u00eancia est\u00e9tica. Est\u00e1 morta. \u00c9 preciso que um int\u00e9rprete d\u00ea vida \u00e0s notas<br \/>\nmortas. Martha Argerich, pianista suprema (sua interpreta\u00e7\u00e3o do concerto n. 3<br \/>\nde Rachmaninoff me convenceu da superioridade das mulheres&#8230;) as toca: seus<br \/>\ndedos deslizam leves, r\u00e1pidos, vigorosos, vagarosos, suaves, nenhum deslize,<br \/>\nnenhum trope\u00e7\u00e3o: estamos possu\u00eddos pela beleza. A mesma partitura, as mesmas<br \/>\nnotas, nas m\u00e3os de um pianeiro: o toque \u00e9 duro, sem leveza, trope\u00e7\u00f5es,<br \/>\nhesita\u00e7\u00f5es, esbarros, erros: \u00e9 o horror, o desejo que o fim chegue logo.<\/p>\n<p>Todo texto liter\u00e1rio \u00e9 uma partitura musical. As palavras s\u00e3o as notas. Se aquele que l\u00ea \u00e9 um artista, se ele domina a t\u00e9cnica, se ele surfa sobre as palavras, se ele<br \/>\nest\u00e1 possu\u00eddo pelo texto \u2013 a beleza acontece. E o texto se apossa do corpo de<br \/>\nquem ouve. Mas se aquele que l\u00ea n\u00e3o domina a t\u00e9cnica, se luta com as palavras, se n\u00e3o desliza sobre elas \u2013 a leitura n\u00e3o produz prazer: queremos logo que ela acabe.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Artigos: As 10 melhores t\u00e9cnicas de estudo Possibilidades na constru\u00e7\u00e3o do conhecimento e aprendizagem na EaD Escutat\u00f3rio Disciplina e Aprendizagem Como se concentrar nos estudos? Prepara\u00e7\u00e3o para Processos Seletivos La\u00e7o Psicopedag\u00f3gico &nbsp; O prazer da leitura (Ruben Alves) Alfabetizar \u00e9 ensinar a ler. 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